Vanessa Barone
Lojas de roupas para homem já forma somente isto: lojas de roupas para homens. Hoje, a diversidade de estilos é tanta que não cabe numa definição única. Há grifes focadas no “balneário-urbano” , caso da carioca Reserva, que mostra sua nova coleção de verão hoje, no São Paulo Fashion Week (SPFW). Outras apostam no segmento esportivo-moderno, como a Los Dos, de São Paulo. Há até marcas que investem no que chamam de “formal-descontraído”, como a Spirito Santo, de Porto Alegre. Cada uma no seu nicho, elas têm em comum o fato de já terem despertado para o consumidor contemporâneo, que anda mais complexo em busca de identidade, se comparado à geração anterior. E procuram falar a sua língua.
Entre as três, a mais nova é Los Dos, aberta há cerca de um ano. O cliente-alvo da grife gosta de esporte, mas não é necessariamente um atleta. Na hora da compra, quer encontrar também um pouco de diversão. Por isso, a loja principal da marca, localizada no bairro de Moema, tem internet sem fio e um bar customizado pela marca de cervejas Devassa. Para a próxima estação, há planos de instalar uma mesa de sinuca e promover pequenas festas no local. “Queremos que o consumidor venha à loja não só para comprar, mas para encontrar amigos”, explica Tico Sahyoun, don da Los Dos e também da Bob Store, grife feminina com 13 anos de mercado.
A principal características da Los Dos é fazer ima moda para os momentos de lazer, com referências ao universo do futebol e do automobilismo. “Temos tudo, menos ternos”, diz Sahyoun. Somente de calça jeans, a grife tem mais de 20 modelos. Também vende sapatos, tênis, bijuterias, cuecas e sacolas de viagem. A diversidade de itens segue uma exigência masculina. “O homem vai menos à loja, mas se gosta do conceito e do atendimento, tem mais chance de se tornar um cliente fiel”, diz Sahyoun. A primeira loja da Los Dos foi aberta próxima à butique feminina Bob Store, para aproveitar o fluxo de clientes. “As mulheres ainda compram roupas para os homens”, diz Sahyoun. A Los Dos tem três lojas próprias em São Paulo e franquias em Cuiabá (MT), João Pessoa (PB) e Vila Velha (ES), além de estar presente em 100 multimarcas. Até o fim do ano, deverá chegar também a Campo Grande (MS) e Brasília. “Em 2010, queremos abrir mais 11 franquias no Brasil. Em três anos, deveremos ter cerca de 30 butiques”, diz Sahyoun.
Criada há três anos e, Porto Alegre, pelos irmãos Andréas e Frederico Renner, a Spirito Santo investe numa alfaiataria de vanguarda. “Nossa roupa é para quem precisa usar terno, mas não agüenta roupas caretas e com padrão antigo”, define Frederico Renner, que conheceu a arte de produzir ternos na fabrica da avó, a Têxtil Renner, empresa que deu origem ao grupo Renner e funcionou por 90 anos produzindo ternos no esquema de “private label”. A fábrica fechou há quatro anos, mas os irmãos tiveram tempo de aprende o ofício.
Depois de viagens para a Europa para pesquisar o mercado, os irmãos perceberam que entrariam num nicho praticamente inédito no Brasil. Os ternos da Spirito Santo podem ser tudo, menos tradicionais. Entre os mais vendidos estão conjuntos cujo paletó é estampado nas costas com o brasão da marca ou adornado com bordados. “Também fazemos paletós com forros coloridos”, diz Frederico, que cuida da criação, enquanto Andréas assumiu a área comercial. Apesar das ousadias, Frederico garante que a qualidade é um fator essencial para a marca, que usa lã fria Super 120 e Super 150 importada do Uruguai. “Também usamos tecidos italianos e alguns nacionais, principalmente o algodão. Para a parte de camisaria.”
A Spirito Santo foi pensada para vestir os clientes dos pés à cabeça e também vende sapatos, tênis, jeans e gravatas. Hoje, tem duas lojas em Porto Alegre e é distribuída por cerca de 30 multimarcas do interior do Ri Grande do Sul e de Santa Catarina. A partir de 2010, os irmãos planejam atingir novos mercados por meio de franquias.
Com cinco anos de mercado, a carioca Reserva está em plena expansão, para levar o seu estilo “balneário-urbano” para todo o país. “A marca tem influência do Rio de Janeiro, mas não é só isso: é feita para um cliente premium, que preza uma boa modelagem”, diz Rony Meisler, um dos proprietários da marca. A Reserva é comercializada em 350 pontos de venda multimarcas, por meio de nove showroons nacionais.
Entre as coleções de inverno 2008 e verão 2009, a grife cresceu 120% em vendas. Do verão 2009 para o atual inverno, a expansão foi de 80%. “Organizamos a empresa para que ela fosse sustentável”, conta Meisler. “Antes de abrir a primeira loja, em Ipanema, nós passamos dois anos investindo nas multimarcas”. A meta de Meisler é chegar a 600 pontos de venda no Brasil e, a partir de 2010, começar a exportar. A Reserva abriu três lojas em 2008. Atualmente, conta com seis butiques próprias e deverá terminar o ano com oito. “Queremos ter 30 lojas num prazo de quatro anos”, diz Meisler.
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