Spirito Santo - Alfaiataria com Alma  
 
Cena Alternatina - Spirito Santo, especialista em alfaiataria masculina- Usefashion Journal

UseFashion - Spirito Santo, especializada em alfaiataria masculina

Por Fernanda Macial
Consultora: Paula Visoná

Em 1994, São Paulo, acontecia o Mercado Mundo Mix, com 11 expositores, recebendo cerca de 500 visitantes na primeira edição. No ano seguinte, o público passou para 30 mil e, a partir daí, outros eventos desse estilo foram se espalhando pelo Brasil, conquistando públicos diversos.
Com uma nova forma de comércio, os mercados alternativos ampliaram os produtos oferecidos ao público jovem além das tradicionais peças de guarda-roupa masculino. O estilista Alexandre Herchcovitch foi um dos pioneiros a enxergar essa lacuna na moda. Ele iniciou sua trajetória nestes mercados alternativos e hoje desfila em Nova York, junto com os principais nomes da moda mundial, sem perder o foco na autenticidade.
Para a antropóloga, professora da UFRJ e autora da Nu & Vestido (Ed. Record) e O corpo como capital (Estação das Letras e Cores), Miriam Goldenberg, o homem contemporâneo procura esses mercados diferenciados porque está em busca da originalidade. “É um homem que não agüenta mais as roupas caretas das marcas tradicionais. Ele quer mais alternativas de cores, de estampas, de formas, ele quer construir o próprio estilo e não ser apenas mais um homem vestindo uma roupa padrão que é quase um uniforme. Ele quer também transgredir um pouco e usar cores e formas que não são vistas como masculinas. Enfim, ele quer ser único e não um homem padrão”, enfatiza.
O estilista da Complexo B, Beto Neves, diz que “assim como todo e qualquer mortal, os homens também querem e diferenciar, serem exclusivos. As feiras e eventos acabam se tornando quase que a única opção para estes consumidores”, destaca. O estilista diz ainda que as mulheres permanecem como as grandes consumidoras deste novo figurino masculino, já que o homem ainda depende da opinião delas e também dos amigos para ousar.
A grife Spirito Santo, especialista em alfaiataria masculina, embora seguindo uma linha de peças tradicionais e comercializando em lojas próprias, inova nos cortes, oferecendo uma concepção diferenciada para rapazes. Na coleção de inverno 2009, por exemplo, há um modelo de blazer, em que a gola aplicada, de moletom com capuz, pode ser retirada. “Nossa marca tem lifestyle novo para um mercado totalmente conservador”, acreditam os sócios Andreas e Frederico Renner.
Segundo eles, o mundo é feito de tribos e as tribos ditam a moda entre os seus. “O público masculino está mais interessado e, consequentemente, há sim mais espaços para as marcas que chegam com uma proposta diferente, seja no produto entre si, na apresentação, no layout da loja ou nas campanhas. Acreditamos que os alternativos, neste caso, são os que ousam mostrar algo diferente sem perder o DNA de cada marca, reforçam.
Além de pequenas feiras e exposições temporárias, são poucos os nichos de desfiles para novos talentos em torna das grandes semanas da moda. Na capital carioca, acontecem simultaneamente ao Fashion Rio e, em São Paulo, principalmente na Casa dos Criadores. A iniciativa de incentivar a criatividade de jovens designers, por meio de esses eventos paralelos, tem uma responsabilidade muito grande na inovação da moda masculina atual. Estes designers, geralmente, buscam dialogar com públicos menores, orientados para mercados em que a linguagem coletiva, que é a forma de representação do grupo, está voltada para a diferenciação.
Buscar referenciais nas ruas dos grandes centros urbanos é uma intenção visível nas coleções de Alisson Rodrigues e R. Groove, bem como nas marcas Ausländer e Complexo B. É uma premissa na orientação das coleções voltadas ao público masculino. O crescimento deste mercado está associado à investigação de novas linguagens, visto que as gerações atuais possuem senso crítico apurado, o que determina também um nível maior de liberdade de experimentação.

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